Felipe Matos Blog

Meta Paga US$ 2 Bilhões Por Startup de IA Enquanto Gestores Redefinem Liderança — Por Que Estas 24 Horas Marcam a Virada dos Agentes Autônomos Para o Centro das Operações

December 31, 2025 | by Matos AI

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A última segunda-feira de 2025 trouxe um movimento que resume bem onde estamos na evolução da inteligência artificial: a Meta anunciou a aquisição da Manus, startup de IA sediada em Singapura, por mais de US$ 2 bilhões. Ao mesmo tempo, executivos reunidos em São Francisco debatiam como os gestores precisam mudar seu papel quando a IA assume tarefas operacionais. Não é coincidência. Estamos testemunhando a transição definitiva da IA como ferramenta de apoio para agente autônomo no centro das operações.

E o Brasil? Aparece tanto como protagonista em uso quanto como espectador curioso: somos o terceiro maior usuário do ChatGPT no mundo, mas ainda gastamos dinheiro público em cursos europeus de IA enquanto startups nacionais usam a tecnologia para personalizar tratamento de câncer. Há avanços reais e desperdícios simbólicos convivendo no mesmo noticiário.

Vamos entender o que essas últimas 24 horas revelam sobre onde a IA realmente está — e para onde vai.


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Meta Aposta US$ 2 Bilhões em Agentes de IA Generalistas

A transação entre Meta e Manus não é apenas mais uma aquisição. É um sinal claro de que agentes de IA capazes de executar tarefas completas de forma autônoma viraram prioridade estratégica das gigantes de tecnologia. Segundo informações do Startups, a Manus registrava uma receita anualizada de US$ 125 milhões no início de 2025 e já tinha levantado capital a uma avaliação próxima de US$ 500 milhões antes da aquisição.

O que torna a Manus especial? Seu agente de IA generalista, lançado no começo de 2025, é capaz de executar uma série de tarefas a partir de comandos simples: triagem de currículos, criação de roteiros de viagem e análise de ações no mercado financeiro. Desde o lançamento, já processou mais de 147 trilhões de tokens e criou mais de 80 milhões de computadores virtuais. São números que impressionam, mas o mais importante é o que representam: a IA saindo do chat e entrando na execução.

A Meta deixou claro que o plano é integrar a tecnologia da Manus ao Meta AI, levando agentes de uso geral tanto ao consumidor final quanto ao mercado corporativo. “O plano é escalar esse serviço para atender um número ainda maior de empresas”, disse a companhia em nota oficial. A Manus continuará operando seus serviços, mas agora dentro do ecossistema da Meta.

Essa não é a primeira aquisição estratégica da Meta em 2025. A empresa já havia comprado a PlayAI e a WaveForms, startup fundada por um ex-OpenAI e especializada em modelos de IA generativa baseados em voz. O movimento é claro: reforçar a frente de desenvolvimento em IA por meio de talentos e tecnologias já validadas pelo mercado.

A Corrida Global Por Agentes Autônomos

A Manus ganhou fama como a “nova DeepSeek” da China, conforme reportado pelo G1. Fundada originalmente na China, a startup mudou sua sede para Singapura meses após o lançamento, seguindo uma tendência de empresas chinesas que buscam reduzir riscos decorrentes das tensões geopolíticas entre EUA e China. Seus produtos não estão disponíveis na China, e a empresa mantém uma parceria estratégica com a Alibaba para colaborar em modelos de IA.

Segundo a própria Manus, o desempenho de seu agente de IA supera o do DeepResearch da OpenAI. É uma afirmação ousada, mas que ajuda a entender por que a Meta estava disposta a pagar entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões pelo negócio, conforme reportado pela InfoMoney.

O que vemos aqui é a aceleração dos investimentos em IA por meio de aquisições estratégicas e contratação de talentos, impulsionada pela concorrência acirrada no setor. As gigantes de tecnologia entenderam que não basta desenvolver modelos de linguagem poderosos. É preciso ter agentes que executem, coordenem e tomem decisões de forma autônoma.

Da IA que Sugere Para a IA que Execute

Enquanto a Meta fechava o negócio com a Manus, executivos reunidos na conferência Fortune Brainstorm AI, em São Francisco, discutiam exatamente essa transição. Segundo reportagem da InfoMoney, o software de IA está eliminando o trabalho repetitivo e redefinindo o que é uma boa gestão.

Stefano Corazza, chefe de pesquisa em IA da Canva, foi direto: o objetivo da IA deve ser dar “superpoderes” às pessoas, não substituir a tomada de decisão estratégica ou as habilidades interpessoais dos gestores. Aashna Kircher, da Workday, notou que muitos gestores ainda dedicam tempo excessivo a tarefas tediosas. Com agentes de IA aliviando esse fardo, as empresas precisam redefinir expectativas e treinar gestores para a tomada de decisões.

Kate Niederhoffer, da BetterUp, fez uma distinção importante entre tipos de desempenho: básico, colaborativo e adaptativo. Ela argumentou que humanos, especialmente gestores, se sobressaem no aspecto colaborativo — alinhamento, valorização dos outros e confiança entre equipes. A dependência excessiva de IA para esse trabalho resulta em “resultados muito ruins e também uma atrofia da colaboração”.

No meu trabalho com empresas, vejo exatamente isso acontecendo. Equipes que automatizam demais sem redesenhar processos acabam perdendo a dimensão humana que sustenta a inovação. Empatia e apoio relacional são áreas onde humanos superam significativamente as máquinas, e a transferência dessas tarefas para agentes deteriora o desempenho e a percepção da liderança.

O Gestor Como Arquiteto da Descoberta

Danielle Perszyk, do Amazon AGI SF Lab, observou que gestores estão frequentemente “presos a uma tela” com ferramentas de produtividade que acabam minando a produtividade. Ela vê agentes de IA como “companheiros universais de equipe”, aptos a gerenciar a burocracia digital — navegar por aplicativos, acompanhar atualizações, orquestrar tarefas. Isso liberaria gestores e colaboradores para focar em criatividade e pensamento estratégico.

Perszyk ressaltou que os sistemas atuais apenas simulam compreensão emocional. Seu laboratório está desenvolvendo “modelos digitais de mundo” e treinamento social para que a IA compreenda melhor a dinâmica das equipes e apoie o trabalho emocional humano em vez de substituí-lo.

Toby Roberts, da Zillow, concluiu que, com a IA absorvendo as tarefas desgastantes do dia a dia, os gestores terão mais espaço para se concentrar em onde o julgamento humano e a conexão são cruciais. Isso reformulará discussões sobre amplitude de controle, habilidades e desenho de equipes.

A mensagem dessas últimas 24 horas é clara: a adoção da IA no ambiente de trabalho implica uma profunda redefinição do papel do gestor, migrando de supervisor de tarefas operacionais para um líder focado em desenvolvimento humano, julgamento estratégico, inteligência emocional e fomento à colaboração.

IA Como Sistema Operacional das Organizações

Um artigo publicado no State trouxe uma reflexão que resume bem o momento atual. Segundo Maurício Benvenutti, sócio da Startse, a IA deixou de ser algo que você “usa” e passou a estar embutida onde o trabalho de fato acontece: ERPs, CRMs e outras plataformas internas.

Quando o ChatGPT surgiu, no fim de 2022, o mundo descobriu as IAs generativas. Na sequência, o debate ficou mais técnico: LLMs, número de parâmetros, custos de treinamento, obsessão por construir modelos próprios. Depois vieram os agentes, e a IA saiu do chat e passou a executar tarefas. Logo em seguida, vieram os sistemas multiagentes — várias IAs com papéis diferentes trabalhando em conjunto.

Agora, entramos numa fase mais silenciosa e talvez ainda mais impactante: a IA como sistema operacional da organização. As pessoas seguem trabalhando normalmente, mas dentro de fluxos já orquestrados por escolhas feitas pela IA. É assim que a tecnologia deixa de apoiar decisões e passa a moldá-las.

Benvenutti alerta: “O ponto central não é a IA propriamente dita. É a incapacidade humana e organizacional de se adaptar na mesma velocidade que ela impõe.” Empresas que não desenvolvem a capacidade de se transformar entram em atrito permanente com a realidade. Companhias que tendem ao infinito são aquelas que sabem “morrer” o tempo todo, abandonando o que as trouxe até aqui e se reinventando para seguir em frente.

Quais Profissões Serão Mais Impactadas em 2026?

Uma análise publicada pelo TechTudo trouxe projeções importantes sobre o impacto da IA no mercado de trabalho. Segundo a Gartner, os gastos globais com inteligência artificial devem ultrapassar US$ 2 trilhões em 2026, refletindo a transição das empresas da fase de testes para a implementação em larga escala.

Kenneth Corrêa, professor da FGV e especialista em tecnologias emergentes, foi direto: “A grande mudança de 2026 não é apenas tecnológica, é estrutural: saímos de um modelo onde a IA sugere para um onde ela executa.” Essa virada redefine não apenas cargos específicos, mas a própria lógica de funcionamento das organizações.

Administração, Atendimento e Operações Financeiras

As primeiras áreas a sentir os efeitos da autonomia operacional são baseadas em fluxos digitais padronizados. Funções administrativas, atendimento ao cliente de primeiro nível e operações financeiras básicas estão entre as mais impactadas. “O profissional dessas áreas deixará de ser um operador de tarefas para se tornar um gerente de exceções“, explica Corrêa.

Na prática, isso significa menos tempo gasto com execução repetitiva e mais foco em supervisão, análise de casos complexos e tomada de decisão estratégica. Os agentes não apenas rascunham uma resposta de e-mail. Eles leem a reclamação, acessam o sistema de logística, autorizam a troca dentro da política da empresa e agendam a coleta, tudo sem intervenção humana direta.

Auditoria, Contabilidade e Consultoria Jurídica

Em setores como auditoria, contabilidade e consultoria jurídica, a adoção de agentes autônomos muda profundamente o modelo de negócios. “Tarefas que antes justificavam dezenas de horas de analistas juniores agora são executadas em minutos, com precisão superior”, afirma Corrêa. O maior risco não é a substituição imediata do profissional, mas a obsolescência do modelo baseado em horas faturáveis.

Análises de risco, revisões contratuais em massa e cruzamento de balanços passam a ser realizados por agentes de IA, enquanto o valor do profissional humano se desloca para a interpretação estratégica e o julgamento ético. O advogado ou auditor de 2026 não é pago para encontrar a cláusula de risco, mas para decidir o que fazer com essa informação dentro do contexto do negócio do cliente.

Indústria e Pesquisa Científica

Na indústria, a novidade é a transição da IA Física (Embodied AI) do campo experimental para a operação comercial. Robôs humanoides começam a ser inseridos de forma cirúrgica em gargalos produtivos, especialmente onde há escassez de mão de obra. “Diferente dos braços robóticos fixos, esses humanoides navegam por espaços feitos para pessoas, assumindo tarefas de logística interna e manuseio repetitivo”, explica Corrêa.

Na pesquisa científica e no setor farmacêutico, agentes de IA já estão acelerando descobertas de forma inédita. O pesquisador humano deixa de ser o executor de tarefas manuais de bancada para se tornar o arquiteto da descoberta. Com agentes orquestrando fluxos completos de pesquisa, ciclos de desenvolvimento que antes levavam anos passam a ser comprimidos em semanas.

IA Personalizada Para Tratamento de Câncer

Nem tudo são questões organizacionais e de mercado de trabalho. Uma notícia da InfoMoney trouxe um exemplo concreto de como a IA pode gerar impacto real na saúde. A Radical Health, startup fundada por Simone Korsgaard Jensen, está usando IA para personalizar o tratamento do câncer.

“Falamos sobre o câncer como se fosse uma doença só, mas é mais como milhares de doenças diferentes. Além disso, cada indivíduo é muito diferente. Mas, hoje, ainda tratamos tudo com uma abordagem padronizada. E é aí que dados e IA podem, especialmente, entrar para ajudar”, afirma Jensen.

A Radical constrói seu modelo com uma combinação de dados públicos e dados de pacientes obtidos por meio de parcerias com a UCSF e a Mayo Clinic. As informações incluem imagens, radiologia, patologia, dados genéticos e registros de pacientes — cobrindo mais de 10 milhões de casos.

Para os pacientes, o funcionamento é simples: é só se cadastrar, vincular os registros médicos e, depois de cerca de uma hora, o sistema devolve um relatório personalizado. O relatório recomenda terapias e estratégias que os pacientes frequentemente compartilham com seus oncologistas. O aplicativo atualmente é gratuito e disponível ao público em geral.

Uma paciente entrevistada anonimamente destacou que a Radical a ajudou a ter ferramentas para conversar melhor com seus médicos e sentir mais autonomia. Ela ressaltou que, diferentemente de um único oncologista, a ferramenta “parece muito objetiva” ao analisar decisões de alto risco e toxicidade.

A startup acaba de levantar US$ 5 milhões em investimento pré-seed liderado pela Khosla Ventures. Vinod Khosla, fundador da gestora, disse que se sentiu atraído pela possibilidade de que a Radical pudesse democratizar informações sobre tratamento do câncer ao escalar “a expertise dos melhores oncologistas”.

A Nova Geração de Bilionários da IA

Enquanto a IA transforma profissões e modelos de negócios, também está criando uma nova classe de bilionários. Uma reportagem da S.Paulo Newspaper trouxe um panorama dessa geração de empreendedores que atingiram o status de bilionário em tempo recorde.

Alexandr Wang e Lucy Guo, fundadores da Scale AI, entraram para o clube após a empresa receber um investimento de US$ 14,3 bilhões da Meta em junho. Os fundadores da startup de codificação de IA Cursor — Michael Truell, Sualeh Asif, Aman Sanger e Arvid Lunnemark — também se tornaram bilionários quando sua empresa foi avaliada em US$ 27 bilhões em uma rodada de financiamento.

A jornada de Elon Musk para se tornar bilionário levou anos. Em contraste, a maioria dos novos bilionários da IA fundou suas empresas há menos de três anos, após a OpenAI lançar o ChatGPT, e depois viu investidores rapidamente aumentarem os valores de suas empresas.

Mira Murati, ex-executiva da OpenAI, anunciou sua startup Thinking Machines Lab em fevereiro, e em junho a startup atingiu uma avaliação de US$ 10 bilhões sem lançar um único produto. Ilya Sutskever, outro ex-executivo da OpenAI, lançou a Safe Superintelligence em junho de 2024. A empresa é avaliada em US$ 32 bilhões após levantar US$ 2 bilhões este ano, sem ter revelado nenhum produto.

Especialistas comparam a nova geração de bilionários da IA aos barões das ferrovias da Era Dourada de 1890. Jai Das, sócio da Sapphire Ventures, alertou que a riqueza deles pode ser passageira se as startups não corresponderem às expectativas de avaliação. “A questão é quais dessas empresas vão sobreviver… E quais desses fundadores podem realmente acabar sendo verdadeiros bilionários e não apenas bilionários no papel.”

Infraestrutura e Segurança Quântica

A expansão da IA traz desafios estruturais. Uma reportagem da Gazeta do Povo destacou um avanço importante: pesquisadores chineses demonstraram uma arquitetura de transmissão óptica que combina tráfego de dados clássicos em altíssima velocidade com distribuição de chaves quânticas (QKD).

O sistema alcançou transmissão agregada de até 2 terabits por segundo, mantendo consumo e complexidade reduzidos. Segundo os autores, a descoberta “abre caminho para a próxima geração de interconexões ópticas seguras, escaláveis e econômicas”.

Os testes geraram 1.440 chaves seguras em 24 horas e, segundo os cientistas, poderiam proteger cerca de 21,6 petabits por segundo — o que permitiria realizar o download de todo o catálogo da Netflix vinte vezes em apenas um segundo. A pesquisa não apenas resolve um gargalo nos requisitos de velocidade dos data centers, como também aumenta o nível de segurança na transmissão desses dados a partir da criptografia quântica.

Especialistas estimam que, até 2033, a transmissão global de dados deverá registrar um aumento de até 25% por ano, indicando que a infraestrutura atual de data centers não estará pronta para a demanda. Além do consumo energético, nos próximos dois anos, os data centers impulsionados por IA poderão consumir entre 4,2 bilhões e 6,6 bilhões de metros cúbicos de água no resfriamento das máquinas.

O Brasil Entre Protagonismo e Desperdício

O Brasil aparece como o terceiro maior usuário de IA generativa no mundo, segundo estudo da Semrush. Somente o ChatGPT recebe cerca de 140 milhões de mensagens por dia de usuários brasileiros. Mas a adoção corporativa ainda é desigual.

Kenneth Corrêa, da FGV, aponta que a vantagem competitiva do país está na camada de aplicação. “Em 2026, os setores financeiro e de varejo estarão na pole position dessa virada”, afirma. O agronegócio também surge como promessa, impulsionando investimentos bilionários em tecnologia até o fim da década.

Por outro lado, uma notícia do The Globe trouxe um exemplo de desperdício: o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro gastou R$ 518 mil para enviar 23 desembargadores a um curso de IA na Universidade de Milão, na Itália. O curso teve 25 horas de atividades teóricas e práticas, realizado entre os dias 1º e 5 de dezembro.

Há mais três cursos de valor semelhante previstos para 2026, todos na Europa. Enquanto isso, startups brasileiras como a Radical Health estão usando IA para personalizar tratamento de câncer, e o SENAI democratiza mentoria de carreira com IA para milhões de brasileiros.

O contraste é gritante. Temos capacidade técnica e criatividade para desenvolver soluções de impacto, mas ainda patinamos em gestão pública e alocação estratégica de recursos.

Criatividade Humana e IA Como Ferramenta

Uma notícia mais leve, mas igualmente reveladora, veio do G1 Santos. João Guilherme Peixoto, jornalista de 56 anos especialista em IA, criou um vídeo onde estátuas de Santos, no litoral de São Paulo, ganham vida e se refrescam do calor.

Peixoto percorreu as ruas da cidade para fotografar os monumentos e usou ferramentas como Adobe Photoshop, Nano Banana, Genspark, Flow e Midjourney para criar o vídeo. Ele imaginou como cada estátua reagiria ao calor: o aluno usando um leque, sapos pulando na água da fonte, o pescador mexendo a rede, a leoa pegando um balde de água.

“Misturo a minha arte, que é a produção de imagens e como eu conto histórias, com a inteligência artificial. Mas, sempre digo que precisamos entender que são ferramentas para ganhar produtividade, sem que a gente perca a criatividade“, afirma Peixoto.

É uma mensagem importante. A IA amplifica a criatividade humana quando bem utilizada, mas não a substitui. O risco está em perder de vista que a tecnologia é meio, não fim.

O Maior Risco: Ficar Parado

Essas últimas 24 horas trouxeram um retrato completo do momento da IA: aquisições bilionárias, redefinição de papéis de liderança, impacto em setores sensíveis como saúde e tratamento de câncer, criação de uma nova classe de bilionários, avanços em infraestrutura quântica, e exemplos tanto de protagonismo quanto de desperdício no Brasil.

O que conecta tudo isso? A velocidade da transformação. Kenneth Corrêa resumiu bem: “Nunca custou tão caro ser o último a chegar.” Operar em 2026 com mentalidade e ferramentas de 2019 deixa de ser conservador e passa a ser uma ameaça existencial.

Organizações que já operam com Redes de Agentes Inteligentes conseguem reduzir custos, acelerar decisões e escalar operações em um ritmo impossível para estruturas baseadas apenas em processos manuais. Esse abismo tende a se ampliar rapidamente, tornando cada vez mais difícil para quem ficou para trás recuperar competitividade apenas com investimento financeiro.

No meu trabalho de consultoria e nos cursos imersivos que conduzo, vejo empresas brasileiras enfrentando exatamente esse dilema. Há vontade de transformar, mas falta clareza sobre por onde começar. A resposta não está em copiar o que as big techs fazem, mas em entender o contexto local, mapear processos críticos e redesenhar fluxos de trabalho com IA como sistema operacional — não como ferramenta isolada.

As Habilidades Humanas Mais Valorizadas em 2026

Ao contrário do discurso de que apenas soft skills sociais serão relevantes, Corrêa aponta uma valorização crescente de habilidades analíticas e de gestão de projetos. O profissional mais valioso será o orquestrador de fluxos, capaz de dividir problemas complexos, delegar tarefas à IA e exercer julgamento crítico sobre os resultados.

“Deixamos de ser avaliados pelo volume do que produzimos com as mãos e passamos a ser valorizados pela qualidade das perguntas que fazemos“, conclui Corrêa.

Essa mudança exige requalificação urgente. Não basta entender como usar ChatGPT. É preciso saber quando usar, como validar resultados, como integrar IA em processos existentes e, principalmente, como liderar equipes que trabalham lado a lado com agentes autônomos.

No meu curso imersivo de IA para executivos, trabalho exatamente essas competências: pensamento crítico sobre outputs de IA, gestão de projetos com agentes autônomos, ética e governança de dados, e redesenho de processos organizacionais. Não é sobre aprender a programar. É sobre aprender a perguntar melhor e decidir com mais clareza.

2026 Começa Agora

A Meta pagou US$ 2 bilhões pela Manus porque entendeu que agentes autônomos são o próximo passo. Executivos em São Francisco debateram como gestores precisam mudar seu papel quando a IA assume tarefas operacionais. Pesquisadores chineses desenvolveram infraestrutura quântica para blindar data centers. Startups usam IA para personalizar tratamento de câncer. Uma nova geração de bilionários surge em tempo recorde.

E o Brasil? Está no meio dessa transformação, com protagonismo em uso e aplicação, mas ainda patinando em gestão estratégica de recursos e capacitação estruturada.

O maior risco não é a IA substituir profissões. É a incapacidade humana e organizacional de se adaptar na mesma velocidade que ela impõe. 2026 promete acelerar ainda mais essa transformação, com a IA ultrapassando o status de tecnologia promissora e se tornando uma força estrutural na rotina das organizações.

Quem não tratar a mudança como competência central seguirá lutando contra a evolução das coisas. E, dessa vez, não há botão de “ignorar”.

Se você lidera uma equipe, uma área ou uma empresa e quer entender como redesenhar processos com IA como sistema operacional, no meu trabalho de consultoria e nos cursos imersivos que conduzo, ajudo executivos e organizações a fazer essa transição com clareza e foco em geração de valor real. Não é sobre adotar tecnologia pela tecnologia. É sobre construir capacidade de transformação contínua.

Porque empresas que tendem ao infinito são aquelas que sabem “morrer” o tempo todo, abandonando o que as trouxe até aqui e se reinventando para seguir em frente.


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