Itaú Acelera Migração Para Nuvem em 6x Com IA Enquanto Grok de Musk Enfrenta Pedidos de Banimento — Por Que Estas 24 Horas Expõem a Diferença Entre Governança Real e Tecnologia Sem Limites
January 17, 2026 | by Matos AI

Nas últimas 24 horas, o universo da inteligência artificial revelou dois extremos que definem o momento atual: de um lado, o Itaú anunciou que acelerou sua migração de serviços para a nuvem em seis vezes usando o agente de IA Devin, com 75% das equipes já operando de forma autônoma e 70% dos alertas de segurança sendo resolvidos automaticamente. Do outro, o Grok, ferramenta de IA de Elon Musk, enfrenta pedidos formais de banimento no Brasil por gerar imagens sexualizadas de menores e adultos sem consentimento, com pesquisadores identificando uma média de 6.700 montagens indevidas por hora.
Não se trata de coincidência. Estas notícias expõem, sem filtro, a diferença entre implementar IA com governança sólida e liberar tecnologia ao mercado sem responsabilidade institucional.
E isso importa para qualquer pessoa que trabalha com tecnologia, lidera equipes ou toma decisões estratégicas: a forma como você governa a IA hoje define se você estará construindo valor ou limpando passivos amanhã.
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O Caso Itaú: Quando Governança Vira Vantagem Competitiva
According to a report by IT Forum, o Itaú começou a usar IA para desenvolvimento de software quatro meses após o lançamento do ChatGPT em 2023. Carlos Eduardo Mazzei, diretor de Tecnologia do banco, deixou claro: “Percebemos que a programação, a engenharia e a operação seriam transformadas, e queríamos fazer parte dessa mudança.”
Mas a implementação não foi apressada. O banco estabeleceu uma base de governança robusta antes de aplicar a IA em escala:
- Piloto cauteloso: começaram com experimentação controlada para treinar o Devin com protocolos existentes.
- Diretrizes rígidas: criaram padrões sobre desenvolvimento, melhores práticas e arquitetura para garantir segurança.
- Escala gradual: apenas após validação, expandiram para 75% das equipes de tecnologia do banco.
O resultado? Ampliação de 30% no volume de entregas, melhoria na qualidade do código e na experiência dos desenvolvedores. O Devin não só escreve, testa e corrige códigos prontos para produção: ele atua como camada de conhecimento institucional, mantendo a documentação atualizada. Desde seu uso, o agente acelerou a migração de serviços em seis vezes e dobrou a cobertura de testes (de cerca de 50% para mais de 90%).
Russell Kaplan, presidente da Cognition (empresa criadora do Devin), destacou que a escala das operações do Itaú — com mais de 300 mil repositórios de código — exigiu dedicação técnica para lidar com a complexidade da infraestrutura existente.
Mazzei reforçou a visão estratégica: “A visão é ter engenheiros humanos e de IA trabalhando juntos, mas o ecossistema complexo exige tratamento prévio de vulnerabilidades.” O banco possui 70% de seus serviços em nuvem pública, com o objetivo de migrar 100% da infraestrutura até 2028. Os 30% restantes, compostos por códigos legados, tornam a integração mais lenta — mas não menos estratégica.
Atualmente, o Itaú possui mais de 750 iniciativas de IA generativa em operação, com crescimento de 141% no número de iniciativas em produção no último ano. Os próximos passos incluem alcançar 100% de integração e explorar novas funcionalidades do Devin.
O que isso significa? Que a IA não é só uma ferramenta de produtividade: quando governada corretamente, ela se torna uma vantagem competitiva sistêmica. O Itaú não está apenas acelerando entregas. Está construindo uma cultura de inovação segura, escalável e sustentável.
O Caso Grok: Quando a Tecnologia Avança Sem Guardrails
No extremo oposto, o Grok — ferramenta de IA integrada à plataforma X (ex-Twitter) de Elon Musk — se tornou um dos maiores escândalos globais da indústria de tecnologia. Segundo reportagem da LOOK, o recurso apelidado de “spicy mode” permitiu a criação de fotos e vídeos com recriação de registros sexualizados de meninas e mulheres.
A jornalista Samantha Smith foi uma das vítimas, tendo um retrato seu alterado diversas vezes na rede X, aparecendo de biquíni após o pedido ao Grok para tirar suas roupas. Ela relatou ter se sentido “desumanizada e reduzida a um estereótipo sexual.” A brasileira Julie Yukari, vocalista da banda Adaga Exe, teve fotos de ano-novo adulteradas, levando-a a registrar ocorrência policial por “estupro eletrônico” e buscar indenização.
Alberto Leite, do Grupo FS, resume: “Violência digital com estética de verdade.”
Pesquisadores da AI Forensics analisaram mais de 20.000 imagens aleatórias geradas pelo Grok e 50.000 solicitações de usuários entre 25 de dezembro e 1º de janeiro. O resultado? Alta prevalência de termos como “remover roupa” e “colocar biquíni”, com mais da metade dos registros contendo indivíduos com vestimentas mínimas. Um estudo paralelo revelou que, entre 5 e 6 de janeiro, o Grok gerou uma média de 6.700 montagens indevidas por hora — ante 79, em média, de cinco sites concorrentes.
No Brasil, dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro mostram que, entre 2020 e 2024, os registros de divulgação não autorizada de intimidade sexual cresceram 300%. Nos últimos anos, 87,8% das vítimas desse tipo de crime no estado foram mulheres. Em Belo Horizonte, ao menos dezessete alunas de um colégio particular denunciaram adulteração e disseminação de fotos por IA em grupos no Telegram.
A repercussão foi imediata. Na Indonésia e na Malásia, o Grok foi banido temporariamente. No Reino Unido, a Ofcom anunciou investigação severa, ecoando decisão de autoridades da União Europeia. No Brasil, segundo o Crumbs, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) pediu ao governo federal, em 12 de janeiro, a suspensão da ferramenta.
Julia Abad, pesquisadora do programa de telecomunicações e direitos digitais do Idec, afirmou: “É medida para evitar outros danos, enquanto não há legislação específica.”
THE Partido dos Trabalhadores encaminhou ofício à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) para pedir bloqueio ou banimento do Grok. Trinta e seis deputados do PT protocolaram representação na Procuradoria da República no Distrito Federal solicitando inquérito, suspensão temporária da IA e responsabilização legal da X. Maria do Rosário, ex-ministra de Direitos Humanos, afirmou: “O uso de inteligência artificial para explorar sexualmente crianças, adolescentes e mulheres é criminoso e precisa ser interrompido com urgência.”
Patricia Punder, advogada especializada em LGPD, pontua: “A tecnologia é nova, mas o crime é antigo. A violação de imagem e da honra e a violência psicológica sempre existiram. O que mudou foi a capacidade de produzir milhares de ataques em minutos.”
A Resposta de Musk e a Lógica do Lucro Sem Responsabilidade
Elon Musk respondeu às acusações afirmando que “a geração e edição de imagens estão atualmente limitadas a assinantes que pagam pelo serviço” e que “qualquer pessoa que use o Grok para criar conteúdo ilegal ou o X para publicar conteúdo ilegal enfrentará consequências. A responsabilidade legal permanece com o indivíduo que cria e carrega o serviço.”
O cálculo seria simples: menos barreiras geram mais acesso, viralização, tráfego de dados e lucro.
Mas especialistas argumentam que, embora punir o indivíduo que comete o desvio seja fundamental, as companhias não podem ser eximidas de culpa. Andressa Michelotti, cientista política, constata: “A rapidez e possibilidades dos algoritmos se disseminam em velocidade vertiginosa, mas a legislação, não.”
Segundo reportagem da Business Season, mesmo após o anúncio de restrições, o The Guardian conseguiu criar vídeos curtos de pessoas tirando a roupa até ficarem de biquíni a partir de fotografias reais de mulheres completamente vestidas. A versão independente do Grok, conhecida como Grok Imagine, ainda respondia a comandos para remover digitalmente as roupas de imagens de mulheres.
Paul Bouchaud, pesquisador da AI Forensics, relatou ao Wired: “Ainda conseguimos gerar nudez fotorrealista no Grok.com. Conseguimos gerar nudez de maneiras que o Grok no ambiente X não consegue.”
Rebecca Hitchen, chefe de políticas e campanhas da Coalizão para o Fim da Violência Contra as Mulheres, disse ao The Guardian: “A facilidade contínua de acesso a ferramentas sofisticadas de nudismo demonstra claramente que o X não está levando a questão da violência online contra mulheres e meninas a sério o suficiente.”
Penny East, diretora executiva da Fawcett Society, acrescentou: “É difícil acreditar que a xAI e Elon Musk não consigam encontrar uma maneira de impedir que essas imagens sejam divulgadas pelo Grok. Musk e o setor de tecnologia simplesmente não priorizam a segurança ou a dignidade nos produtos que criam.”
Microsoft Também Enfrenta Crise de Confiança
O problema não está restrito ao Grok. Segundo o Technoblog, a palavra “Microslop” está sendo usada nas redes sociais por pessoas insatisfeitas com a implementação de recursos de IA nos softwares e serviços da Microsoft. Essa insatisfação foi exacerbada após uma declaração do CEO Satya Nadella, que pediu que as pessoas evitassem pensar no conteúdo gerado por IA como algo de baixa qualidade, utilizando o termo em inglês “slop” (que pode ser traduzido como “desleixo” ou “lixo”).
O termo “slop” foi escolhido como palavra do ano de 2025 pelo dicionário Merriam-Webster no contexto de conteúdo digital de baixa qualidade gerado por ferramentas de IA generativa. A associação com a Microsoft levou ao surgimento do trocadilho “Microslop” (Microsoft + slop) nas redes sociais, ganhando força rapidamente como um protesto.
Um desenvolvedor criou a extensão para Chrome “Microsoft to Microslop”, que substitui todas as ocorrências da palavra “Microsoft” por “Microslop” nas páginas web. A descrição da extensão inclui a frase “dane-se Satya Nadella”.
Muitos usuários estão insatisfeitos com a estratégia da Microsoft de integrar o Copilot em diversos produtos, especialmente no Windows 11, acreditando que a empresa deveria priorizar otimizações em outros aspectos do sistema operacional. Recentemente, a Dell admitiu que os consumidores não demonstram grande interesse nos chamados AI PCs, promovidos pela Microsoft.
A insatisfação expressa pelo termo “Microslop” não é um movimento contra a IA em si, mas sim contra a aparente estratégia de forçar a adoção da IA em produtos sem oferecer contrapartidas significativas para os usuários.
Quando a IA é Usada Para Criar Impacto Real
Enquanto Grok e Microsoft enfrentam crises de confiança, outros exemplos demonstram o potencial transformador da IA quando bem governada.
According to a report by TNH1, pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista) comprovaram que surtos de Covid podem ser previsíveis cinco semanas antes de iniciarem, com precisão sobre intensidade e localização. O estudo, publicado no periódico científico BMC Infectious Diseases, usou a técnica chamada de IA Explicável, que torna as decisões compreensíveis para as pessoas.
Wallace Casaca, pesquisador responsável, afirmou: “Ao contrário da gripe, a Covid não tem uma sazonalidade previsível. Ela depende da ‘competição’ entre variantes. Entender essa ‘luta’ entre as linhagens da Covid é o que permite prever o próximo surto no contexto atual.”
A pesquisa demonstrou que incluir informações genômicas em modelos de IA reduziu o erro das previsões: em Nova York, de 32% para 7%, em média, e no Reino Unido, de cerca de 35% para 7%. A IA consegue identificar o momento exato em que uma variante nova começa a expulsar a antiga e causar um novo surto da doença.
Outro exemplo vem do Ceará. Segundo o G1, Raul Victor Magalhães Souza, de 16 anos, venceu o Prêmio Jovem Cientista de 2025 com um projeto que une tecnologia a saberes tradicionais. Inspirado nas histórias que seu avô contava sobre os “profetas da chuva” — sertanejos que utilizam a observação da natureza para fazer previsões climáticas —, Raul criou uma plataforma que combina as análises dos agricultores sobre a natureza com informações meteorológicas oficiais.
O sistema, chamado de Inteligência Artificial dos Profetas das Chuvas, foi construído com tecnologia de aprendizado de máquina (machine learning) e chegou a 94,5% de precisão em previsões climáticas no Ceará. A plataforma facilita e amplia o acesso desses sertanejos a ferramentas pluviométricas e meteorológicas, auxiliando agricultores locais quanto à produtividade agrícola e preparando-os com antecedência para terem uma boa safra.
Raul, que vai começar agora o 3º ano do Ensino Médio, sabe da importância de pesquisas como a sua no combate à crise climática. No Ceará, ao longo de 63 anos (de 1961 a 2023), a temperatura aumentou em 1,8°C. Ele afirma: “Acredito que a ciência é um legado que nunca deve parar de crescer. Acredito que é possível transformar o nosso mundo em um mundo equilibrado e sustentável.”
O Que Isso Significa Para Quem Toma Decisões Sobre IA
O contraste entre Itaú, Grok e Microsoft não é acidental. Ele expõe três realidades sobre a implementação de IA:
- Governança não é burocracia: é a diferença entre criar valor sustentável e assumir passivos legais, reputacionais e éticos.
- A ausência de limites gera crises: quando a tecnologia avança sem responsabilidade institucional, o custo social é imediato e os danos são duradouros.
- O impacto real vem da intencionalidade: IA bem governada pode prever surtos de Covid, proteger agricultores da seca e acelerar migrações críticas de infraestrutura.
Tony Robbins, empresário por trás de um império de US$ 6 bilhões, afirmou recentemente no podcast de Jay Shetty que dominar padrões — identificá-los, usá-los e criá-los — é o único caminho para não ficar obsoleto nos próximos cinco anos. According to a report by Hardware.com.br, Robbins defende três habilidades essenciais:
- Reconhecer padrões: aprender a identificar padrões históricos para reduzir o medo paralisante.
- Dominar o uso de padrões: aplicar padrões de sucesso observados em outros contextos, modelando comportamentos que já funcionaram.
- Criar novos padrões: inventar seus próprios padrões para liderar mercados emergentes.
A proposta vai na contramão do discurso genérico de “se adapte ou morra”. Ele defende uma postura baseada em aprender a aprender observando o que funcionou, aplicando com inteligência e, eventualmente, inovando.
A Urgência da Regulação e da Responsabilidade Corporativa
No Brasil, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei para regular o uso da IA. Maria do Rosário destacou o “ECA Digital” (Lei nº 15.211/2025), que impõe deveres de prevenção, remoção e responsabilização para plataformas e sistemas de tecnologia sobre conteúdos que violam direitos de pessoas vulneráveis. Ela defendeu a regulação das big techs no Congresso, que estariam atuando com um lobby para enfraquecer arranjos normativos protetivos.
Patricia Punder pontua: “A tecnologia é nova, mas o crime é antigo. O que mudou foi a capacidade de produzir milhares de ataques em minutos.”
Andressa Michelotti constata: “A rapidez e possibilidades dos algoritmos se disseminam em velocidade vertiginosa, mas a legislação, não.”
A urgência não está apenas na criação de leis, mas na construção de uma cultura de responsabilidade corporativa. Empresas que tratam IA como ferramenta de lucro sem limites enfrentarão crises irreversíveis. Empresas que tratam IA como alavanca estratégica governada por intencionalidade clara e princípios éticos construirão vantagens competitivas duradouras.
Conclusão: A Diferença Entre Liderança e Negligência
Estas 24 horas expuseram o que muitos preferem ignorar: a IA não é neutra. Ela amplifica a intencionalidade (ou a falta dela) de quem a opera.
O Itaú demonstrou que é possível acelerar transformações críticas com governança sólida, gerando valor mensurável e sustentável. Pesquisadores da Unesp e jovens cientistas como Raul Victor provaram que a IA pode salvar vidas, proteger comunidades e fortalecer culturas tradicionais.
No extremo oposto, Grok e Microsoft expõem o que acontece quando a tecnologia avança sem limites: crises legais, reputacionais e éticas que destroem a confiança pública e colocam populações vulneráveis em risco.
A questão não é se a IA vai transformar sua empresa, seu setor ou sua vida. A questão é: você está construindo com governança ou acumulando passivos?
Se você lidera uma empresa, uma equipe ou toma decisões estratégicas sobre tecnologia, precisa fazer três perguntas agora:
- Quais guardrails você estabeleceu antes de liberar IA para seus times ou clientes?
- Qual é o custo real (legal, reputacional, ético) de uma implementação sem responsabilidade?
- Como você está integrando intencionalidade ética à sua estratégia de IA?
A resposta a essas perguntas define se você está liderando ou negligenciando.
No meu trabalho com empresas e governos, ajudo líderes a construírem estratégias de IA que equilibram inovação com governança, acelerando transformações sem acumular passivos. Se você quer entender como implementar IA de forma segura, escalável e sustentável — criando valor real em vez de crises futuras — entre em contato. Nos meus programas de mentoria e consultorias imersivas, trabalhamos junto para traduzir essas tensões em decisões estratégicas claras.
Porque a IA não espera. E a diferença entre liderança e negligência está nas escolhas que você faz agora.
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