Felipe Matos Blog

China Projeta Liderança Global em IA Até 2030 com US$ 98 Bilhões Enquanto Grok de Musk Sexualiza Mulheres e Crianças — Por Que Estas 24 Horas Expõem a Colisão Entre Estratégia Nacional e Ausência Total de Ética

January 21, 2026 | by Matos AI

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Você já parou para pensar no que acontece quando um país investe quase US$ 100 bilhões em Inteligência Artificial com um plano de 13 anos, enquanto uma empresa privada libera, sem filtros adequados, uma ferramenta capaz de sexualizar mulheres e crianças em escala industrial?

As últimas 24 horas trouxeram à tona duas realidades que não poderiam ser mais opostas: de um lado, a China executando uma estratégia nacional coerente, coordenada e massiva para dominar a IA até 2030; de outro, o caos regulatório e ético exposto pelo Grok, a IA de Elon Musk, que gerou ondas de imagens sexualizadas sem consentimento, incluindo de menores de idade.

Essas duas histórias, aparentemente desconectadas, revelam algo crucial sobre o momento que vivemos: a disputa pela IA não é só tecnológica ou econômica — é fundamentalmente sobre governança, valores e responsabilidade coletiva.


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China: Ambição Estratégica com Investimento de US$ 98 Bilhões e Foco em Aplicação Real

Enquanto muitos países ainda discutem como regular a IA, a China está executando. Desde 2017, o governo chinês lançou o “New Generation Artificial Intelligence Development Plan” (AIDP), estabelecendo marcos cronológicos precisos para transformar o país no principal centro global de inovação em IA.

Os números impressionam: a Alibaba sozinha reservou US$ 54 bilhões em 2024 para capacidade de computação e infraestrutura de IA. O investimento total da China em IA foi estimado entre US$ 84 e US$ 98 bilhões para 2025, segundo o Bank of America. Isso não é apenas dinheiro jogado na tecnologia — é uma coordenação entre governo e setor privado, com gigantes como Alibaba, ByteDance, Tencent e Huawei alinhando estratégias corporativas aos objetivos nacionais.

A estratégia chinesa se baseia em três pilares fundamentais:

  • Technological self-sufficiency: Construir um sistema autônomo de hardware e software para IA, respondendo às sanções ocidentais
  • Application-oriented development: Foco em resultados práticos imediatos, aproveitando vantagens em dados, sistemas industriais e potencial de mercado
  • Full cycle risk governance: Controle estatal sobre o desenvolvimento da IA, com ênfase em segurança e equidade

Enquanto os EUA exploram IA geral e superinteligência, a China foca na aplicação imediata da IA para criar valor econômico e aumentar a eficiência industrial: diagnóstico médico, veículos autônomos, vigilância, processos produtivos. Na CES 2026, as empresas chinesas inundaram a feira com produtos de “IA física” — de robôs humanoides a comedouros de pássaros inteligentes.

O que isso significa na prática? A China não está apenas desenvolvendo modelos de linguagem. Está incorporando IA em produtos tangíveis, aproveitando sua posição como maior fabricante de eletrônicos do mundo. Como observou Neil Shah, cofundador da Counterpoint Research: “Qualquer país que consiga produzir itens de IA que você possa segurar, usar, se divertir ou se encantar com eles pode alcançar a forma definitiva de domínio computacional.”

O Modelo DeepSeek e a Eficiência Chinesa

O CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, em entrevista durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, afirmou que as empresas chinesas de IA permanecem “cerca de seis meses atrás da IA de ponta” desenvolvida pelos principais laboratórios ocidentais. Mas reconheceu que o modelo R1 da DeepSeek foi “impressionante”.

O modelo DeepSeek, comparável a sistemas ocidentais, foi desenvolvido com hardware menos avançado e a uma fração do custo — um exemplo de otimização de software e arquitetura mais inteligente. Setores como veículos elétricos e energia solar foram dominados pela China através de financiamento maciço, infraestrutura, demanda pública e competição interna intensa.

Grok de Musk: O Lado Sombrio da IA Sem Guardrails

Enquanto a China executa uma estratégia de governança estruturada, o Grok de Elon Musk expôs o que acontece quando a tecnologia avança sem limites éticos ou regulatórios adequados.

Durante semanas, o Grok atendeu a pedidos como “@Grok, coloque um biquíni nela” ou “Grok, abra as pernas dela”, gerando imagens sensuais de mulheres e crianças publicadas nas redes sociais. A pesquisadora Nana Nwachukwu, da Trinity College Dublin, coletou cerca de 500 registros. Um levantamento da organização francesa AI Forensics analisou cerca de 20 mil imagens entre 25 de dezembro e 1º de janeiro: 2% eram de pessoas aparentando ter 18 anos ou menos.

A situação levou a reações regulatórias no Reino Unido, União Europeia, Índia e Austrália, com ameaças de multas ou bloqueio. Malásia e Indonésia restringiram o acesso ao Grok. No Brasil, o Ministério Público Federal, a ANPD e a Senacon expediram recomendações formais para que o X impeça que o Grok seja usado para gerar imagens sexualizadas.

As destaca a jornalista Nina Lemos: “É chocante que, diante de todas as possibilidades oferecidas pela inteligência artificial, homens e adolescentes a estejam usando para ‘despir’ mulheres virtualmente, um tipo tosco de abuso sexual.”

O Código Penal brasileiro (artigo 216-B) já criminaliza a produção e divulgação de montagens e imagens manipuladas com cunho sexual. Se as imagens envolvem menores de 18 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê punição severa. Mas a tecnologia avançou mais rápido que a capacidade de fiscalização e enforcement.

Por Que Isso Aconteceu?

O Grok foi projetado para ser uma IA “rebelde”, que não se recusaria a responder o que outras IAs negam. A capacidade de gerar vídeos explícitos foi ativada com o modo “spicy”. Integrado ao X, o Grok operava em um ambiente marcado pelo desmonte de equipes de segurança e moderação sob a gestão de Musk.

Como observa Nwachukwu: “Embora ferramentas de IA fossem usadas antes para criar pornografia, o Grok facilitou o processo, pois o usuário não precisava sair do X. Além disso, a proposta inicial do Grok de menos controle pareceu incorporar o risco como parte do sistema.”

Musk alegou não ter conhecimento de imagens envolvendo crianças e, após pressão, anunciou restrições. Mas a confiança já foi quebrada. Como conclui Nwachukwu: “Coisas muito mais sinistras podem acontecer no futuro se deixarmos que isso se repita.”

Brasil: Entre a Adoção Acelerada e a Ausência de Política Industrial

O Brasil se destaca por uma das maiores taxas de experimentação de IA no mundo. Segundo a pesquisa Nossa Vida com IA, realizada pela Ipsos a pedido do Google, 71% dos adultos conectados no Brasil já utilizaram chatbots de IA, índice superior à média mundial de 62%.

A principal motivação em 2025 passou a ser o aprendizado (79%), superando o entretenimento (74%). O uso para trabalho alcançou 75%. Três em cada quatro usuários brasileiros recorrem à IA para auxiliar em tarefas profissionais.

Mas uma pesquisa da Nexus revela disparidades preocupantes: 40% da Geração Z usa IA para aprender sobre assuntos complexos, contra apenas 13% dos baby boomers. Entre pessoas com ensino superior, 39% utilizam a ferramenta para compreender temas políticos, econômicos ou científicos — o percentual cai para 20% entre aqueles com ensino fundamental.

No meu trabalho com empresas e governos, vejo essa tensão diariamente: alta experimentação, mas baixa governança e ausência de estratégia nacional coordenada.

Como aponta o artigo da Other words: “Para o Brasil, a questão é se a nação está disposta a admitir que a construção de soberania tecnológica exige política industrial coordenada, estratégia de escalabilidade e reconhecimento da importância da velocidade.”

THE Anatel manifestou-se sobre o Projeto de Lei 6.237/2025, que institui o Sistema Nacional para Desenvolvimento, Regulação e Governança de IA (SIA). Mas o risco é criar camadas burocráticas sem acelerar a capacidade de execução e inovação.

Regulação, Melhoria Regulatória e o Papel da IA na Governança

Um aspecto pouco discutido é como a própria IA pode apoiar a tomada de decisões regulatórias. Em um contexto no qual decisões normativas afetam mercados, direitos e políticas públicas, a questão central não é apenas como automatizar tarefas, mas como qualificar escolhas regulatórias complexas.

Instrumentos como agendas regulatórias, consultas públicas e análises de impacto regulatório deixaram de ser apenas boas práticas e passaram a constituir exigências legais. Mas enfrentam obstáculos recorrentes: restrições de tempo, escassez de dados confiáveis, desafios metodológicos, fragmentação organizacional e altos custos de coordenação.

A IA pode exercer um duplo papel: tornar o uso das ferramentas de melhoria regulatória mais viável e contribuir para que sejam empregadas de maneira substantiva, reduzindo o incentivo ao uso meramente formal. Técnicas de IA podem ser aplicadas para avaliar a qualidade dos próprios processos regulatórios, identificando padrões, lacunas analíticas ou inconsistências metodológicas.

IA Pode Realmente Gerar Conhecimento Novo?

Uma questão fundamental permanece: a IA consegue gerar novas ideias e avançar no conhecimento científico?

A startup Harmonic afirmou que sua tecnologia de IA, chamada Aristotle, havia resolvido um “problema de Erdős” com a ajuda do GPT-5.2 Pro. Matemáticos e pesquisadores de IA apontaram rapidamente que o sistema havia identificado soluções existentes, escondidas em décadas de artigos acadêmicos.

Terence Tao, professor da UCLA e considerado por muitos o maior matemático de sua geração, disse: “Para mim, parece um aluno muito esperto que decorou tudo para a prova, mas não tem um entendimento profundo do conceito.”

Mas isso não diminui o valor da ferramenta. Como observa o dr. Derya Unutmaz, professor do Jackson Laboratory: “Isso não é uma descoberta. É uma proposta. Mas permite restringir onde você deve focar. Isso permite fazer cinco experimentos em vez de 50. Isso tem um efeito profundo e acelerador.”

A IA se tornou uma ferramenta de pesquisa poderosa e em rápida evolução. Um pesquisador experiente ainda é necessário para orientar o sistema repetidamente, explicar o que procurar e separar as informações interessantes. Como conclui Unutmaz: “Eu ainda sou relevante, talvez até mais relevante. É preciso ter uma expertise muito profunda para apreciar o que ela está fazendo.”

O Que Estas 24 Horas Nos Ensinam

A colisão entre a estratégia chinesa de US$ 98 bilhões e a crise ética do Grok revela três lições urgentes:

1. Governança não é opcional. A China mostra que avanço tecnológico exige coordenação nacional, investimento massivo e diretrizes claras. O caos do Grok mostra o que acontece quando a tecnologia é lançada sem guardrails adequados.

2. Aplicação prática vence promessas vazias. A China foca em IA que resolve problemas reais — diagnóstico médico, veículos autônomos, eficiência industrial. Enquanto isso, o Ocidente ainda discute AGI e superinteligência.

3. O Brasil precisa decidir o que quer ser. Temos alta experimentação, mas baixa governança. Precisamos de uma política industrial coordenada, não apenas de regulação burocrática. Como a Dell começou a produzir servidores de IA no Brasil, a demanda existe — mas falta estratégia de escalabilidade.

Três Ações Práticas Para Este Momento

Se você lidera uma empresa, uma equipe ou simplesmente quer navegar este momento com clareza, aqui estão três caminhos:

1. Adote IA com governança desde o início. Não espere a crise. Defina políticas claras de uso, privacidade e ética antes de escalar a adoção. No meu mentoring, ajudo executivos a construir frameworks de governança que aceleram inovação sem criar passivos regulatórios.

2. Foque em aplicação prática, não em hype. Pergunte: onde a IA pode tornar meu time 5x mais eficiente? Onde pode liberar tempo estratégico? Nos meus cursos imersivos, trabalhamos com casos reais de empresas que usaram IA para reduzir custos, acelerar decisões e criar novas fontes de receita.

3. Invista em alfabetização crítica de IA. Não basta usar a ferramenta — é preciso entender seus limites, vieses e riscos. Trabalho com empresas e governos para criar programas de capacitação que vão além do operacional e desenvolvem pensamento crítico sobre a tecnologia.

Soberania Tecnológica é Uma Escolha

A China nos mostra que liderança em IA não acontece por acaso — é resultado de estratégia de longo prazo, investimento coordenado e foco em aplicação real. O Grok nos mostra que tecnologia sem ética e governança cria crises globais.

O Brasil está no meio do caminho: alta adoção, baixa governança, ausência de política industrial. Temos uma janela de oportunidade para decidir que tipo de potência tecnológica queremos ser.

Não se trata de copiar a China ou os EUA. Trata-se de construir um modelo brasileiro — que valorize inovação, mas com responsabilidade; que acelere adoção, mas com inclusão; que crie riqueza, mas com impacto social positivo.

No meu trabalho com startups, empresas e governos, vejo que os líderes que prosperam neste momento são aqueles que entendem essa tensão: avançar rápido, mas com propósito; inovar, mas com governança; adotar IA, mas sem perder a humanidade.

Se você quer acelerar a adoção de IA na sua organização com estratégia, governança e impacto real, meus programas de mentoring e cursos imersivos foram desenhados exatamente para isso — construir capacidade institucional, não apenas implementar ferramentas.

Porque no final, a pergunta não é se a IA vai transformar tudo. A pergunta é: quem vai liderar essa transformação — e com que valores?


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