Felipe Matos Blog

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Insights on startups, AI, innovation, the future of work and technology education. Practical strategies for impact businesses and digital transformation.

Estado dos EUA Autoriza IA Para Renovar Receitas Sem Médicos — Por Que Esta Fronteira Expõe a Tensão Entre Acesso, Automação e Responsabilidade Clínica

January 8, 2026 | by Matos AI

Elite da IA Brasileira: 10 Startups Prontas Para US$ 100 Milhões Enquanto Inflação e Agentes Autônomos Redefinem Investimentos — Por Que Estas 24 Horas Marcam o Momento da Maturidade Real

January 7, 2026 | by Matos AI

Grok Sexualiza Fotos Sem Consentimento e Polícia Investiga — Por Que Estas 24 Horas Revelam o Lado Mais Sombrio da IA Sem Guardrails

January 6, 2026 | by Matos AI

China Investe US$ 54 Bilhões em IA Enquanto Radares Brasileiros Reduzem Acidentes em 30% — Por Que Estas 24 Horas Revelam a Virada da Ambição Geopolítica Para o Impacto Concreto no Cotidiano

January 5, 2026 | by Matos AI

China Quer Dominar a IA Até 2030 Enquanto 30% dos Brasileiros Já Estão Expostos — Por Que Estas 24 Horas Revelam a Disputa Global Que Vai Redefinir Empregos, Educação e Soberania Digital

January 4, 2026 | by Matos AI

Microsoft Enfrenta Crise de Confiança Enquanto China Domina Modelos de IA e 40% dos Brasileiros Aceitam Agentes Autônomos — Por Que Estas 24 Horas Revelam a Virada da Promessa Para a Execução Real

January 3, 2026 | by Matos AI

Meta Compra a Manus e Marca a Virada da IA de Conversação Para Execução Completa — Por Que Este Movimento de US$ 2 Bilhões Redefine Trabalho, Governança e a Próxima Geração de Produtos Digitais

January 2, 2026 | by Matos AI

Meta Compra a Manus Por US$ 2 Bilhões e Muda o Jogo: IA Deixa de Só Responder e Passa a Resolver — Por Que Esta Aquisição Redefine o Trabalho e a Soberania Digital

January 1, 2026 | by Matos AI

Meta Paga US$ 2 Bilhões Por Startup de IA Enquanto Gestores Redefinem Liderança — Por Que Estas 24 Horas Marcam a Virada dos Agentes Autônomos Para o Centro das Operações

December 31, 2025 | by Matos AI

Físico Alerta Que IA Consome Energia Exponencialmente Enquanto Gigantes Transferem Riscos — Por Que Estas 24 Horas Revelam a Encruzilhada Entre Sustentabilidade e Crescimento Acelerado

December 30, 2025 | by Matos AI

Pela primeira vez nos Estados Unidos, um sistema de inteligência artificial passou a renovar prescrições médicas sem a participação direta de médicos. O programa piloto em Utah, em parceria com a startup Doctronic, começou discretamente em dezembro de 2025 e foi anunciado oficialmente em 6 de janeiro de 2026. A iniciativa permite que pacientes renovem receitas de uso contínuo para 190 medicamentos comuns, excluindo controlados como opioides e remédios para TDAH, pagando apenas US$ 4 por renovação.

Ao mesmo tempo, o ranking de profissões em alta de 2026 do LinkedIn coloca o engenheiro de inteligência artificial no topo da lista, com crescimento de 48% no número de profissionais. Em outro movimento, a Fifa anunciou avatares 3D criados por IA para auxiliar na marcação de impedimentos na Copa do Mundo de 2026, enquanto a Lenovo e a NVIDIA revelaram uma parceria de bilhões para data centers otimizados para IA em escala de gigawatts.

Estas 24 horas revelam uma tensão fundamental: a IA está deixando de ser promessa para assumir decisões críticas em saúde, esporte e infraestrutura. Mas a que custo? E com que garantias?

IA Prescrevendo Medicamentos: Ganho de Acesso ou Risco Inaceitável?

O programa de Utah funciona assim: pacientes acessam uma plataforma online, comprovam residência no estado e respondem a um questionário clínico conduzido pela IA. Se as respostas estiverem dentro dos parâmetros estabelecidos, a receita é enviada diretamente à farmácia. A Doctronic afirma que seu sistema apresentou concordância de 99,2% quando comparado a médicos humanos em 500 casos de pronto atendimento.

According to Band report, cerca de 80% de toda a atividade relacionada a medicamentos no sistema de saúde americano envolve renovações de receitas. A proposta do governo de Utah é clara: desafogar agendas médicas, reduzir filas e devolver tempo aos profissionais de saúde para casos que realmente exigem julgamento clínico complexo.

Margaret Woolley Busse, diretora executiva do Departamento de Comércio de Utah, afirmou que “o objetivo é mostrar que uma IA bem regulada pode melhorar o acesso, reduzir atrasos no tratamento e evitar internações desnecessárias, mantendo os médicos no centro do cuidado”. Mas será que essa premissa se sustenta na prática?

O Outro Lado da Moeda: Preocupações Médicas e Jurídicas

Entidades médicas não estão convencidas. John Whyte, da Associação Médica Americana, afirmou que “embora a IA tenha enorme potencial para transformar a medicina, sem a participação do médico ela também pode representar riscos sérios para pacientes”. As preocupações incluem sinais clínicos sutis que podem passar despercebidos, interações medicamentosas complexas e até o uso indevido do sistema por pessoas tentando obter medicamentos de forma irregular.

Outro ponto crítico é a ausência, até o momento, de um posicionamento claro da FDA (Food and Drug Administration). Embora estados regulem a prática da medicina, a agência pode entender que sistemas de IA usados para tratar ou prevenir doenças se enquadram como dispositivos médicos, o que poderia levar a exigências adicionais ou até suspender a expansão do projeto.

As aponta o colunista Renato Assis no Estado de Minas, o modelo de Utah está estruturado com salvaguardas: consentimento expresso do paciente, registro integral das decisões, revisão humana posterior e exclusão de medicamentos controlados. Ele ressalta que “automatizar o repetitivo é progresso; automatizar o discernimento é estupidez”.

Mas há um “nó jurídico” fundamental: quem responde por um desfecho adverso de uma renovação automatizada? O fornecedor, a farmácia, o Estado ou o médico? Sem resposta clara, não há segurança jurídica.

Engenheiro de IA: A Profissão Que Lidera 2026

Enquanto Utah testa IA na medicina, o mercado de trabalho brasileiro mostra para onde o dinheiro está indo. Segundo levantamento do LinkedIn divulgado pelo G1, o cargo de engenheiro de inteligência artificial lidera o ranking de profissões em alta para 2026 no Brasil.

A quantidade de profissionais com esse cargo cresceu 48% no período analisado. A média salarial gira em torno de R$ 8 mil, mas há vagas que oferecem até R$ 32 mil, especialmente para profissionais mais experientes. As cidades com maior número de vagas são São Paulo, Florianópolis e Recife. Do total de vagas, 63,55% são remotas, ampliando as possibilidades para profissionais fora dos grandes centros.

O que chama atenção é a concentração de cargos ligados à tecnologia no ranking: mais da metade dos 25 cargos listados envolve o uso intensivo de ferramentas tecnológicas, engenharia ou análise de dados. Isso reflete um mercado de trabalho cada vez mais orientado por informação e automação.

Mas há um problema estrutural: apesar da expansão, apenas 10,58% das contratações para o cargo de engenheiro de IA foram de mulheres, ante 89,42% de homens. O dado aponta para questões relacionadas ao acesso à formação técnica e à permanência de mulheres em carreiras tecnológicas ao longo do tempo.

Por Que Isso Importa Para Quem Não é Engenheiro?

Porque essa concentração de talento técnico está moldando diretamente a forma como empresas operam, como governos tomam decisões e como serviços públicos são entregues. No meu trabalho com empresas e governos, vejo que a falta de alfabetização em IA entre gestores e líderes cria dependência tecnológica perigosa. Sem entender minimamente como a IA funciona, organizações ficam reféns de fornecedores e perdem a capacidade de avaliar riscos e oportunidades de forma autônoma.

A IA não é mais um assunto exclusivo de TI. É estratégico, ético e político.

Copa do Mundo 2026: Avatares de IA Para Marcar Impedimentos

A Fifa anunciou que todos os jogadores da Copa do Mundo de 2026 serão escaneados e terão um avatar criado por inteligência artificial em três dimensões. O principal objetivo é oferecer uma resposta mais precisa na marcação dos impedimentos e em outros lances cruciais onde cada centímetro é importante.

According to Terra report, os jogadores de todas as seleções serão escaneados por câmeras e sensores. Um computador com IA criará avatares com as dimensões exatas de cada atleta. Estes avatares serão integrados ao software de marcação automática de impedimento, elevando significativamente sua precisão.

Arthur Hu, diretor da Lenovo — a multinacional chinesa fornecedora da tecnologia — afirmou que “nenhum jogador de futebol é igual ao outro. Ninguém tem o mesmo físico, nem as mesmas dimensões. Então, as dimensões exatas de cada jogador serão levadas em consideração”.

As imagens dos avatares em situação de impedimento (ou não) serão transmitidas na televisão para esclarecer a decisão do árbitro ao público. Mattias Grafström, secretário-geral da Fifa, comentou que “os avatares 3D com inteligência artificial representam um grande avanço. Combinar dados precisos dos jogadores com uma visualização avançada fortalece a confiança nas decisões importantes e aproxima os torcedores do esporte”.

Além do Impedimento: IA Como Assistente Técnico

A Fifa e a Lenovo também anunciaram uma nova aplicação de IA para análise de dados chamada Football AI Pro, descrita como funcionando “tipo um ChatGPT” para os técnicos. Durante cada partida, câmeras nos estádios e sensores nos uniformes coletarão dados sobre o desempenho dos jogadores (quilometragem percorrida, áreas ocupadas no campo, decisões pós-recepção de bola, etc.).

Os técnicos poderão consultar a IA em tempo real para apoiar decisões como substituições ou mudanças de formação. A ferramenta também estará disponível para uso pós-jogo por equipes técnicas e olheiros.

Gianni Infantino previu que o evento será “o maior espetáculo já visto no planeta Terra”, com uma audiência de sete milhões de pessoas nos 104 jogos desta edição. A IA está sendo usada para aumentar a transparência e reduzir controvérsias, movimentos que, se bem-sucedidos, podem influenciar outras modalidades esportivas.

Lenovo e NVIDIA: Data Centers de IA em Escala de Gigawatts

A Lenovo e a NVIDIA anunciaram na CES (Consumer Electronics Show) em Las Vegas uma estratégia conjunta para implantação de data centers otimizados para inteligência artificial em escala de gigawatts. A iniciativa, batizada de Lenovo AI Cloud Gigafactory, foi apresentada como um novo modelo de infraestrutura projetado para acelerar a entrada em produção de aplicações baseadas em IA generativa, IA agente e computação de alto desempenho.

Second reportagem da TeleSíntese, o objetivo é atender à crescente demanda de provedores de nuvem e grandes corporações por ambientes capazes de processar cargas de trabalho complexas com alta eficiência energética, baixa latência e escalabilidade modular.

Durante a apresentação, o CEO da Lenovo, Yuanqing Yang, afirmou que “na era da IA, o valor não é mais medido apenas pela computação, mas também pela rapidez com que ela entrega resultados”. Ele destacou que o conceito de gigafactory foi desenvolvido para reduzir o time to first token (TTFT), métrica usada para medir o intervalo entre o investimento em infraestrutura e a entrada em operação de modelos de IA em ambientes produtivos.

Por Que Eficiência e Velocidade Viraram Métricas Críticas?

Porque o custo de manter infraestrutura de IA ociosa é proibitivo. A vida útil de chips avançados é de cerca de 18 meses antes que novas gerações os tornem obsoletos. Isso significa que empresas precisam recuperar investimento rapidamente ou ficam com ativos desvalorizados.

A iniciativa inclui suporte aos sistemas de próxima geração da NVIDIA, como o GB300 NVL72, com 72 GPUs Blackwell Ultra e 36 CPUs Grace, e ao futuro Vera Rubin NVL72, com integração completa de processamento, redes e armazenamento otimizados para cargas de IA. As soluções utilizam arquitetura refrigerada a líquido e são conectadas por redes de ultra baixa latência baseadas em switches Ethernet NVIDIA Spectrum-6.

A Lenovo afirma atender atualmente oito dos dez maiores provedores de nuvem pública do mundo. A empresa também anunciou que seus serviços híbridos de IA passam a oferecer suporte completo ao ciclo de vida dessas infraestruturas, com financiamento via modelo as a service (TruScale).

Elite da IA Brasileira: 10 Startups Prontas Para US$ 100 Milhões

O ecossistema brasileiro de tecnologia atingiu um novo patamar de maturidade. Segundo levantamento da Value Capital Advisors, feito a pedido da Forbes Brazil, o país encerra 2025 com um salto relevante no setor de inteligência artificial. O número de startups ativas saltou de 352, em 2016, para 975 empresas em 2025. Trata-se de um crescimento de quase 40% apenas na última meia década.

Mas o mercado mostra uma forte concentração. O Sudeste continua sendo o epicentro da inovação, abrigando 71,18% das operações, com o estado de São Paulo detendo, isoladamente, 56% do market share nacional.

Das 975 startups mapeadas, apenas 23 conseguiram romper a barreira de financiamento de US$ 10 milhões. A seletividade dos investidores é evidente: apenas 16 empresas atingiram um Growth Score superior a 60 pontos — métrica que analisa desde o headcount e market share até o histórico de M&As (fusões e aquisições).

Deste grupo restrito, 10 startups foram identificadas como a “elite de 2026”, com musculatura financeira e operacional para buscar rodadas de até US$ 100 milhões no próximo ano.

Quem São as 10 Startups de Destaque?

Para Daniel Lasse, CEO da Value Capital Advisors, o mercado brasileiro de IA não é mais sobre promessas, mas sobre resolução de ineficiências críticas. “O avanço da inteligência artificial no Brasil começa a se traduzir em modelos de negócio maduros. Em um ambiente mais seletivo para investimentos, elas se destacam por combinar aplicação prática de IA e geração de valor mensurável”, afirma o executivo.

IA Produzirá “Enxames” de Ciberataques em 2026

Nem tudo é progresso. Segundo os especialistas da Lumu Technologies, ataques autônomos viabilizados por IA vão estabelecer uma nova realidade, marcada por “enxames” de atacantes, malwares ainda mais sofisticados e a adoção de uma estratégia baseada na presunção de comprometimento.

According to Terra report, agentes de IA vão dar um novo impulso aos ciberataques ao utilizar agentes autônomos capazes de disparar 10 mil e-mails de phishing personalizados por segundo, criar ataques de dia zero instantaneamente e implantar ransomware em milhares de endpoints em menos de um minuto.

Germán Patiño, vice-presidente de vendas para a América Latina da Lumu Technologies, afirmou: “O ano de 2026 marcará um momento crucial: o fim do modelo de segurança centrado em endpoints e uma mudança significativa para uma mentalidade inegociável de assumir a violação de segurança. Não estamos mais debatendo se uma intrusão ocorrerá, mas operando sob a dura realidade de que ela já aconteceu”.

Por Que a Presunção de Comprometimento Muda Tudo?

Porque muda a lógica de segurança de reativa para proativa. Em vez de tentar impedir invasões, empresas precisam assumir que já foram invadidas e construir sistemas para detectar, conter e responder rapidamente. Isso exige uma mudança cultural profunda e investimento em monitoramento contínuo.

Outras tendências apontadas pela Lumu incluem:

Recife Usa IA Para Prevenir Derrame

Nem tudo é ameaça. Em Recife, uma iniciativa usa inteligência artificial para detectar fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca que pode ser um indicador de que a pessoa corre risco de ter um acidente vascular cerebral (AVC).

Second coluna da VEJA, a iniciativa já analisou cerca de 4 mil eletrocardiogramas e detectou em 48 pessoas uma arritmia associada ao risco de AVC. Cerca de 20% dos AVCs isquêmicos acontecem por causa da fibrilação atrial.

A cardiologista Tieta Albanez, que lidera o projeto em Recife, explica: “O paciente não sente nada, mas o coração está batendo de forma irregular”. A fibrilação faz o coração bombear o sangue com menos eficiência, o que favorece acúmulo de pequenas quantidades desse líquido no átrio esquerdo. Com isso, formam-se coágulos (os trombos), que correm o risco de se soltar e passar a circular pelo corpo.

Como a IA Entra Nessa História?

Inteligências artificiais são muito competentes para detectar padrões que podem passar despercebidos aos olhos humanos. “O diagnóstico é pelo eletrocardiograma, mas nem todo médico se sente seguro para interpretar o traçado”, diz Tieta. Estimativas usadas no projeto indicam que cerca de 84% dos médicos relatam desconforto ao analisar um ECG.

Com nove algoritmos clínicos, a plataforma Kardia, de uma empresa chamada Neomed, analisa cada eletrocardiograma em cerca de sete segundos e gera um laudo preliminar. “A tecnologia dá o laudo. O médico confirma”, resume a doutora.

Entre outubro de 2024 e abril de 2025, foram realizados 3.933 eletrocardiogramas com apoio da plataforma em hospitais da rede privada de Recife. Desse total, 48 casos de fibrilação atrial foram identificados. “A gente aumentou muito o diagnóstico dessa arritmia, que antes passava despercebida”, afirma Tieta.

Detectar a fibrilação atrial cedo muda completamente o tratamento. Em muitos casos, a proteção contra o AVC vem do uso de anticoagulantes, medicamentos que afinam o sangue e reduzem a formação de coágulos.

O Que Estas 24 Horas Revelam Sobre a Automação em Decisões Críticas?

Vamos conectar os pontos. Utah permite que IA renove receitas sem médicos. A Fifa usa avatares de IA para marcar impedimentos. Recife usa IA para detectar arritmias. Lenovo e NVIDIA investem bilhões em infraestrutura. Lumu prevê enxames de ciberataques automatizados.

O que essas notícias têm em comum? Todas representam a fronteira onde a automação encontra a responsabilidade. Não estamos mais falando de IA como assistente. Estamos falando de IA como executor de decisões que afetam saúde, esporte, segurança e infraestrutura crítica.

No meu trabalho com empresas e governos, vejo três tensões recorrentes:

1. Eficiência Versus Segurança

A promessa de rapidez e redução de custos é sedutora. Mas eficiência sem salvaguardas é temeridade. O modelo de Utah tem mérito por começar pequeno, com escopo estreito e auditoria. Mas e quando a exceção vira regra? E quando a pressão por volume e lucro supera a cautela clínica?

2. Automação Versus Julgamento Humano

Algoritmos são ótimos para padrões. Péssimos para exceções. A medicina — e a vida — é feita de exceções. Um paciente com histórico atípico, uma interação medicamentosa rara, um sintoma sutil que não aparece no questionário. A IA pode perder isso. E o custo de perder pode ser uma vida.

3. Acesso Versus Responsabilização

Democratizar acesso à saúde é urgente. Mas quem responde quando algo dá errado? Sem clareza jurídica, a inovação se torna irresponsabilidade institucionalizada. Estados como Utah assumem o risco político de testar. Mas o risco clínico é dos pacientes. E o risco jurídico ainda está em aberto.

Por Que a Elite da IA Brasileira Importa Para Essa Discussão?

Porque mostra que o Brasil tem capacidade técnica e operacional para construir soluções de IA de ponta. Startups como Blip, Nagro, Idwall e Enter não estão copiando modelos. Estão resolvendo problemas locais com tecnologia proprietária.

Mas o ecossistema ainda é concentrado geograficamente (71,18% no Sudeste) e com baixa participação feminina (10,58% dos engenheiros de IA são mulheres). Isso limita a diversidade de perspectivas e perpetua vieses.

A IA não é neutra. Ela reflete quem a constrói. Se continuarmos com times homogêneos, geograficamente concentrados e desconectados de realidades locais, vamos construir soluções que servem apenas a uma fatia da população.

O Que Fazer com Tudo Isso?

Primeiro, precisamos de alfabetização em IA em escala. Não para que todos virem engenheiros, mas para que gestores, médicos, advogados, educadores e cidadãos entendam minimamente como a tecnologia funciona, quais são seus limites e como avaliar riscos.

Segundo, precisamos de regulação que equilibre inovação e responsabilidade. O modelo de sandbox regulatório, como o de Utah, tem mérito. Mas precisa de transparência, auditoria pública e mecanismos claros de responsabilização.

Terceiro, precisamos de investimento em infraestrutura local. Não podemos depender eternamente de fornecedores externos para chips, data centers e software. A soberania digital passa por capacidade tecnológica própria.

Quarto, precisamos de diversidade na construção de IA. Mais mulheres, mais negros, mais indígenas, mais pessoas de diferentes regiões e contextos. A IA que serve a todos só pode ser construída por times diversos.

No meu trabalho de mentoring e consultoria, ajudo executivos e empresas a navegarem exatamente essas tensões. Como adotar IA de forma estratégica, ética e responsável? Como equilibrar eficiência e segurança? Como construir capacidade interna sem criar dependência tecnológica?

Se você está enfrentando essas questões, vamos conversar. A IA não é mais sobre futurologia. É sobre decisões que estão sendo tomadas agora. E essas decisões vão definir se construímos um futuro mais justo ou apenas mais automatizado.

O que estas 24 horas revelam é que a automação em decisões críticas não é mais uma discussão teórica. É realidade. E precisamos estar à altura dela.