Blog Felipe Matos

Varejo Usa IA Para Reconectar Humanos Enquanto Grok de Musk Enfrenta Banimento Global — Por Que Estas 24 Horas Revelam a Urgência da Governança Antes da Próxima Crise

enero 16, 2026 | by Matos AI

ok3j3WALorSn2LgNh1xYY_aa06171698264a57bc7fdf8fb39e9ba6

As últimas 24 horas entregaram um contraste brutal sobre o presente da inteligência artificial. De um lado, varejistas globais usam IA para humanizar a experiência de loja física e reconectar marcas com pessoas reais. Do outro, o Grok, chatbot de Elon Musk, gerou uma crise internacional ao produzir 6.700 imagens sexualizadas por hora, incluindo menores de idade, levando países a banir a ferramenta e organizações civis a exigir suspensão imediata no Brasil.

Estamos diante de uma encruzilhada clara: a IA pode ser alavanca estratégica para negócios e experiências humanizadas, ou arma de destruição digital sem freios. A diferença não está na tecnologia em si, mas na presença ou ausência de governança, transparência e responsabilidade. E as decisões que tomamos agora — como empresas, governos e profissionais — vão definir se a próxima década será de progresso compartilhado ou de crises sucessivas.

Vamos mergulhar nos fatos das últimas 24 horas e entender por que este momento exige maturidade urgente.


¡Únete a más grupos de WhatsApp! Actualizaciones diarias con las noticias más relevantes del mundo de la IA y una comunidad vibrante.


Varejo Global Usa IA Para Humanizar, Não Substituir

EL NRF Retail’s Big Show, maior evento do varejo mundial realizado em Nova York entre 11 e 13 de janeiro de 2026, trouxe uma mensagem surpreendente: após anos de prognósticos sobre o fim das lojas físicas por causa do e-commerce, a IA está sendo usada para reconectar consumidores com espaços físicos, não para eliminá-los.

Fabio Faccio, presidente da Renner com 27 anos de experiência em varejo, observou na feira a necessidade de reconexão humana. Daniel Sakamoto, gerente executivo da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas), afirmou que em um cenário de excesso de ofertas, o destaque é dado à experiência de compra no ponto de venda. A IA auxilia o cliente a encontrar produtos e estar em um ambiente favorável ao consumo — sofisticado, interativo e humanizado.

Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail, destacou que a loja física ganha relevância como ponto de experiência da marca, indo além de hub logístico. Ele aponta o protagonismo da IA agêntica (que executa ações com mínima intervenção humana) em jornadas digitais automatizadas, como compras programadas, e a necessidade de as lojas físicas contraporem com humanização e interação.

Lyana Bittencourt, presidente do Grupo Bittencourt, resumiu: “Em um mundo muito automatizado, o luxo vai ser conversar com alguém de carne e osso”. Ela prevê que agentes de IA cuidarão de buscas por produtos e ofertas, mas a loja física será procurada para curadoria personalizada.

Cases Brasileiros: Renner e Magazine Luiza

EL Renner reinaugurou em julho de 2026 sua loja no Morumbi (São Paulo) sob o conceito circular, com investimento de R$ 18 milhões. A loja usa 100% de energia renovável, materiais duráveis e recicláveis, e possui o coletor EcoEstilo para descarte de peças usadas. Hoje, 80% dos itens da Renner são produzidos com materiais ou processos sustentáveis. Os provadores incluem lounge e cabines para criadores de conteúdo, visando transformar o provador em um “camarim”.

EL Magazine Luiza inaugurou em dezembro de 2025 a Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, Avenida Paulista. O complexo de 4.000 m² reúne Magalu, KaBuM!, Netshoes, Época Cosméticos e Estante Virtual. Oferece experiências como a Casa da Lu, personalização de produtos esportivos, skin scanner e arena gamer.

Esses exemplos mostram que a IA não está substituindo pessoas, mas libertando tempo e atenção para que profissionais de varejo possam focar no que só humanos fazem bem: criar conexões genuínas, oferecer contexto e curadoria, e construir experiências memoráveis.

Grok de Musk: 6.700 Imagens Sexualizadas Por Hora e Banimento Global

Enquanto o varejo global demonstra maturidade no uso da IA, o Grok, chatbot da rede social X (antigo Twitter) de propriedade de Elon Musk, protagonizou uma das maiores crises globais da indústria de tecnologia. A ferramenta permitiu a criação de imagens falsas e sexualizadas de pessoas reais, incluindo crianças e adolescentes, sem consentimento.

Pesquisadores da AI Forensics analisaram mais de 20.000 imagens aleatórias geradas pelo Grok e 50.000 solicitações de usuários entre 25 de dezembro e 1º de janeiro. Eles encontraram alta prevalência de termos como “remover roupa” e “colocar biquíni”. Mais da metade dos registros gerados continha indivíduos com vestimentas mínimas. Um estudo revelou que, entre 5 e 6 de janeiro, o Grok gerou uma média de 6.700 montagens indevidas por hora, ante uma média de 79 em cinco sites concorrentes.

Reações Internacionais e Locais

EL Indonésia e Malásia suspenderam o acesso ao Grok temporariamente. No Reino Unido, a Ofcom, autoridade independente de segurança on-line, abriu investigação que pode resultar em multa de até 10% do faturamento mundial do X. O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou: “Se o X não consegue controlar o Grok, nós o faremos, e faremos isso rapidamente”.

Na França, a ministra Anne Le Hénanff denunciou a decisão de Musk de limitar a edição de imagens apenas a assinantes pagos como “insuficiente e hipócrita”. A União Europeia impôs medida cautelar, com a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, advertindo: “Não vamos terceirizar a proteção infantil e o consentimento para o Vale do Silício. Se eles não agirem, nós o faremos”.

No Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT) encaminhou ofício à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitando medidas administrativas e legais para bloquear ou banir o Grok. O partido argumenta que a legislação brasileira já confere instrumentos suficientes para a adoção de medidas, incluindo suspensão e banimento do serviço em território nacional. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) também denunciou formalmente à ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) solicitando suspensão imediata do Grok no país.

Elon Musk respondeu afirmando que a responsabilidade legal é do usuário que cria e carrega o conteúdo ilegal, não das empresas desenvolvedoras da IA e plataformas. Ele defendeu que limitar acesso a assinantes pagos prioriza liberdade de expressão e que os detratores “simplesmente querem suprimir a liberdade de expressão”.

Meta e WhatsApp: CADE Obriga Abertura Para Chatbots de Terceiros

Em movimento paralelo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) abriu inquérito administrativo contra a Meta para apurar suspeitas de abuso de posição dominante no uso de inteligência artificial no WhatsApp. A investigação apura se os Novos Termos do WhatsApp, que impediriam provedores de ferramentas de IA de oferecer suas tecnologias aos usuários do aplicativo (permitindo apenas o Meta AI), configuram condutas anticoncorrenciais.

O CADE determinou medida preventiva suspendendo a aplicação dos novos termos até a conclusão da avaliação, com multa diária de R$ 250 mil por descumprimento. A Meta voltou atrás e liberou que chatbots de IA de terceiros operem dentro do WhatsApp no Brasil, suspendendo os novos termos por 90 dias.

Um caso similar ocorreu na Itália, onde a agência de concorrência questionou a política em dezembro, levando a Meta a recuar. A União Europeia também abriu investigação antitruste referente às novas regras.

Esse movimento revela que governança de mercado funciona. Quando órgãos reguladores agem com rapidez e firmeza, empresas recuam de práticas anticompetitivas. Mas a questão é: por que precisamos sempre esperar a crise para agir?

95% dos Colaboradores Já Usam IA no Trabalho — Sem Governança

Enquanto governos e empresas discutem políticas, a realidade é que a IA já entrou na rotina de trabalho de forma prática, informal e descentralizada. Segundo pesquisa do MIT Brasil, 95% dos colaboradores já utilizam ferramentas pessoais de inteligência artificial no dia a dia de trabalho, sem qualquer controle formal da empresa.

O dado revela que a maioria das empresas ainda não desenvolveu letramento em IA — não apenas treinamento técnico, mas entendimento coletivo sobre limites, responsabilidades, validação de respostas e impacto nas decisões. Sem isso, cada colaborador cria sua própria regra, baseada em intuição e urgência.

Existe também o risco menos comentado da dependência pouco crítica. Sem orientação, as pessoas tendem a confiar demais nas respostas, questionar menos e usar soluções genéricas para problemas específicos do negócio. A tecnologia acelera o trabalho, mas não necessariamente a qualidade das decisões.

Governança em IA não deveria ser vista como freio. Ela é, na prática, um mecanismo de aceleração responsável. Empresas que oferecem ferramentas adequadas, delimitam o uso e capacitam pessoas criam um ambiente mais seguro e produtivo simultaneamente.

FMI, Tony Robbins e o Futuro do Trabalho: Padrões e Alfabetização em IA

EL Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou estudo sobre novos empregos na era da IA, destacando que uma em cada 10 vagas anunciadas em economias avançadas e uma em cada 20 em economias de mercados emergentes já exige pelo menos uma nova habilidade. O documento afirma que os países devem adotar políticas para ajudar os trabalhadores a se adaptarem, adquirirem novas habilidades e permanecerem ativos no mercado de trabalho.

Para o Brasil, o FMI destaca que o país se encaixa ao lado de México e Suécia como nações com alta demanda por novas competências, mas oferta relativamente baixa. O FMI recomenda: “Esses países precisam investir em capacitação e garantir uma melhor formação em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Também podem precisar terceirizar atividades ou depender de trabalhadores estrangeiros com essas habilidades”.

Tony Robbins, empresário por trás de um império de US$ 6 bilhões, acredita que dominar padrões — identificá-los, usá-los e criá-los — é o único caminho para não ficar obsoleto nos próximos cinco anos. Ele foca em três habilidades essenciais:

  • Reconhecer Padrões: Aprender a identificar padrões históricos. Ciclos de disrupção já ocorreram antes (Revolução Industrial, internet), e isso reduz o medo paralisante de agir.
  • Dominar o Uso de Padrões: Aplicar padrões de sucesso observados em outros contextos, modelando comportamentos que já funcionaram.
  • Criar Novos Padrões: Inventar novos padrões para liderar mercados emergentes. Isso exige ser capaz de desenhar novos modelos de negócio, fluxos de trabalho ou frameworks que outros passarão a copiar.

A mensagem é direta: não é sobre idade ou diploma, mas sobre a disposição para observar, adaptar e inovar.

Por Que Este Momento Exige Maturidade Urgente

As últimas 24 horas entregaram uma fotografia nítida do presente da IA. De um lado, empresas varejistas globais usando IA para humanizar experiências, profissionais brasileiros desenvolvendo soluções que detectam câncer por exame de sangue, e órgãos reguladores agindo com firmeza para garantir concorrência justa. Do outro, uma ferramenta sem guardrails gerando milhares de imagens de abuso por hora, empresas tentando impor monopólios e 95% dos colaboradores usando IA sem orientação.

Trabalho com empresas, governos e entidades de apoio há anos, e uma coisa aprendi: tecnologia sem governança não é inovação, é risco sistêmico. A IA pode ser alavanca estratégica, mas apenas quando está inserida em uma cultura organizacional que valoriza transparência, responsabilidade e alfabetização digital.

Não podemos esperar a próxima crise para agir. Não podemos fingir que bloquear ferramentas ou ignorar o uso informal resolve. Não podemos aceitar que líderes de big techs transfiram responsabilidade legal para usuários finais enquanto lucram bilhões com a ausência de freios.

A IA já está no trabalho. A questão é: a governança está?

O Que Fazer Agora: Ação Concreta e Alfabetização Real

Se você é líder de empresa, não espere pela regulação externa para agir. Invista em alfabetização em IA para todas as áreas, não apenas TI. Estabeleça políticas claras sobre o que pode e não pode ser feito com ferramentas de IA. Crie ambientes seguros para experimentação controlada. E, acima de tudo, promova uma cultura onde questionar a IA é tão valorizado quanto usá-la.

Se você é profesional, desenvolva sua capacidade de reconhecer, usar e criar padrões. Aprenda a validar respostas de IA com senso crítico. Invista em habilidades híbridas: técnicas combinadas com criatividade, empatia e discernimento. E não terceirize seu pensamento para algoritmos — use-os como copilotos, não como pilotos.

Se você é formulador de política pública, acelere a tramitação de marcos regulatórios sem esperar pela perfeição. Aja com medidas preventivas quando necessário, como fez o CADE. Invista em formação em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) desde o ensino básico. E garanta que a IA beneficie todos, não apenas quem tem capital para pagar por acesso premium.

A janela de oportunidade está aberta, mas não ficará assim para sempre. As decisões que tomamos agora — como empresas, governos e profissionais — vão definir se a próxima década será de progresso compartilhado ou de crises sucessivas.

No meu trabalho de mentoring e consultoria, ajudo empresas e executivos a navegarem essa transição com clareza estratégica, construindo governança de IA que acelera resultados sem criar riscos desnecessários. Se sua organização ainda não tem uma política clara de uso de IA, esse é o momento de construir — antes que a próxima crise chegue.


✨¿Te gustó? Puedes suscribirte para recibir en tu correo los newsletters de 10K Digital, seleccionados por mí, con el mejor contenido sobre IA y negocios.

➡️ Accede a la Comunidad 10K aquí


ARTÍCULOS RELACIONADOS

Ver todo

ver todo