Blog Felipe Matos

Radar da IA: Entre Custos e Oportunidades – O Paradoxo que Definirá o Sucesso do seu Negócio

abril 2, 2025 | by Matos AI

TPhi5Yymgt7cFy9LnzEpb_1aa5d9d3eea147fd9e9294ad740569b1

O dilema que toda empresa enfrenta com a IA

A notícia que mais me chamou atenção hoje tem um título provocativo: “Se IA não matar sua empresa, a tornará mais forte”. Parece dramático, mas reflete perfeitamente o momento de transformação que estamos vivendo. Um estudo apresentado no Banco Central Europeu revela algo que tenho observado constantemente em meu trabalho com startups e empresas estabelecidas: a implementação de IA gera uma turbulência inicial antes de trazer benefícios reais.

Os dados são claros: empresas pioneiras na adoção de IA no setor de manufatura viram inicialmente sua produtividade cair enquanto substituíam trabalhadores por sistemas automatizados. No entanto, as que conseguiram superar essa fase turbulenta começaram a mostrar desempenho superior em crescimento de vendas, produtividade e até mesmo em geração de empregos.

Este é exatamente o paradoxo da inovação que sempre menciono em minhas palestras. Toda transformação profunda exige um período de adaptação, onde resultados podem piorar antes de melhorar. É como reformar uma casa enquanto você ainda mora nela – há um inevitável período de desconforto antes que o novo ambiente revele seu verdadeiro valor.

O alerta de Damodaran: IA como custo, não como receita

Em contraponto interessante, o respeitado professor Aswath Damodaran lançou um alerta que complementa essa visão: “Para a maioria das empresas, IA será custo, não receita”. Segundo reportagem do Brazil Journal, ele questiona o otimismo exagerado de que produtos e serviços de IA se tornarão um mercado de US$ 3,5 trilhões, afirmando que muitas organizações não verão retorno significativo ao tentar se reinventar rapidamente.

Essa aparente contradição entre as duas notícias revela, na verdade, uma compreensão mais profunda do fenômeno: a IA não é uma solução mágica, mas uma ferramenta que exige implementação estratégica. As empresas que enxergam a IA apenas como mais um custo tecnológico, sem repensar processos e modelos de negócio, provavelmente estarão no grupo daquelas que apenas acumulam despesas.

Por outro lado, organizações que compreendem que a implementação de IA é parte de uma transformação mais ampla – envolvendo pessoas, cultura e processos – têm maior potencial de colher os benefícios descritos no primeiro estudo.

O brasileiro já percebe a IA no seu dia a dia

Enquanto empresas debatem custos e benefícios, o consumidor brasileiro já está bem mais familiarizado com a tecnologia do que muitos executivos imaginam. Uma pesquisa da SimBis revela que 58,62% dos brasileiros já percebem o uso de inteligência artificial nas interações com marcas.

Mais surpreendente ainda: 54% dos brasileiros relatam utilizar IA generativa, superando a média global. Isso indica que nosso mercado está não apenas consciente, mas ativamente engajado com essa tecnologia. A mensagem para empresas é clara: seus clientes já estão embarcando na revolução da IA, e esperam que você também esteja.

Este dado reforça minha convicção de que empresas brasileiras precisam acelerar sua transformação digital para não ficarem para trás. A janela de oportunidade está aberta, mas não permanecerá assim indefinidamente.

Os usos controversos da IA: do filtro Ghibli à desinformação

No campo da controvérsia, duas notícias chamaram atenção. A primeira envolve o popular filtro de IA que transforma fotos no estilo Studio Ghibli, levantando questões fundamentais sobre direitos autorais na era da IA. Se a lei não protege estilos artísticos, mas apenas obras específicas, quais são os limites éticos para a criação por IA?

A segunda controvérsia vem da própria IA de Elon Musk, o Grok, que classificou seu criador como um dos principais disseminadores de desinformação na rede social X. Este caso ilustra perfeitamente o desafio de desenvolver IAs que sejam ao mesmo tempo precisas e alinhadas com os interesses comerciais de seus desenvolvedores.

Há ainda um terceiro uso controverso: cursos que ensinam a criar conteúdo adulto utilizando modelos virtuais gerados por IA. Esse fenômeno, que ganhou o nome de “IA do job” nas redes sociais, levanta sérias questões sobre consentimento, direitos de imagem e a necessidade urgente de regulamentação.

Estes casos nos lembram que a tecnologia em si é neutra – são os usos humanos que determinam seus impactos positivos ou negativos. Por isso defendo constantemente uma abordagem ética e responsável à inovação.

Como navegar nesse novo cenário? Três lições práticas

Após analisar as principais notícias das últimas 24 horas sobre IA, extraio três lições práticas para empresas brasileiras:

  • Prepare-se para a turbulência inicial: A implementação de IA provavelmente causará desconforto e até queda temporária de produtividade. Isso é normal e parte do processo. Empresas que desistem nessa fase perdem a oportunidade de colher os benefícios futuros.
  • Pense além da tecnologia: A IA não é apenas um novo software a ser instalado, mas uma oportunidade de repensar processos, modelos de negócio e até mesmo a cultura organizacional. As empresas que entendem isso transformam custos em investimentos.
  • Evolua com seu consumidor: O brasileiro já está experimentando e utilizando IA em seu dia a dia. Ignorar essa realidade significa perder relevância. As empresas precisam, no mínimo, acompanhar o ritmo de adoção tecnológica de seus clientes.

O paradoxo da inovação e a vantagem brasileira

Existe um paradoxo interessante nas notícias de hoje. Por um lado, a implementação de IA gera turbulência e custos antes de trazer benefícios. Por outro, empresas que não se adaptam correm o risco de serem deixadas para trás em um mercado onde os consumidores já estão abraçando essas tecnologias.

O Brasil tem uma vantagem competitiva nesse cenário: nossos consumidores são naturalmente adaptáveis e abertos a novas tecnologias. Isso cria um ambiente fértil para experimentação e inovação. No entanto, precisamos de mais empresas dispostas a navegar pela fase inicial de turbulência.

Em minhas mentorias para startups e consultorias para empresas estabelecidas, tenho observado que as organizações mais bem-sucedidas na implementação de IA são aquelas que adotam uma abordagem experimental, mas estruturada – testando aplicações em áreas específicas antes de expandir, e mantendo o foco em problemas reais de negócio, não apenas na tecnologia por si só.

O futuro pertence aos resilientes

A mensagem mais importante que extraio do estudo apresentado no Banco Central Europeu é sobre resiliência. As empresas que superaram a turbulência inicial da implementação de IA e emergiram mais fortes são exemplos do que chamo de “resiliência inovadora” – a capacidade de persistir através das inevitáveis dificuldades que qualquer transformação profunda traz.

Este é um tema que me é particularmente caro, pois em toda minha trajetória de apoio a mais de 10 mil startups, vi que o diferencial entre sucesso e fracasso raramente está na ideia inicial ou na tecnologia utilizada, mas na capacidade de adaptação e persistência diante dos obstáculos.

A IA está redefinindo as regras do jogo em praticamente todos os setores. Em meus programas de mentoria, ajudo empreendedores e executivos a desenvolverem essa resiliência inovadora, identificando oportunidades estratégicas para implementação de IA que vão além do modismo e criam valor sustentável.

O paradoxo da IA nas empresas – custo inicial versus benefício futuro – representa perfeitamente a essência da inovação: transformação real raramente é indolor, mas é o único caminho para a relevância duradoura.

E você, está preparado para navegar por essa turbulência inicial para colher os frutos da transformação por IA? O futuro pertence àqueles que entenderem que inovação não é escolha, mas necessidade – e que a verdadeira vantagem competitiva está na forma como implementamos as tecnologias, não apenas em quais tecnologias escolhemos implementar.

POSTAGENS RELACIONADAS

Ver tudo

view all
pt_BRPortuguês do Brasil